Quem é a Canonical? a empresa por traz do Ubuntu

Através dessa matéria vou abordar sobre a empresa por traz da distribuição Linux com maior número de usuários no mundo. Na qual possui mais tutoriais e matérias na internet, seja em português ou em inglês. O que acaba sendo uma porta de entrada para quem se propõe testar uma distribuição Linux, como esse que vos escreve.

Mas quem é a Canonical?

A Canonial é a empresa que mantem a distribuição Linux Ubuntu, possui Sede em Londres no Reino Unido. E foi fundada por Mark Shuttleworth, um sul-africano, que vendeu uma empresa de segurança chamada Thawte por cerca de 575 milhões de dólares em 1999. Em 2002 ele comprou uma viagem ao espaço, se tornando primeiro sul-africano a ir ao espaço, e também é conhecido por uma uma viagem para a Antártica em 2004, na qual aproveitou os meses a bordo do navio para ler bastante sobre o Debian, com a ideia de criar um desktop fácil de usar de código aberto. Quando retornou do polo sul, Shuttlerworth funda a Canonical e em conseqüência o sistema Linux Ubuntu.

Mark Shuttleworth no Espaço

A primeira versão do sistema foi lançada em outubro de 2004, e o primeiro bug descrito por Shuttleworth foi o seguinte:

“A Microsoft tem uma participação de mercado majoritária no novo mercado de PCs desktop. Este é um bug que o Ubuntu e outros projetos devem corrigir”.

A Canonical entrou no mercado para bater de frente com o Windows da Microsoft, e acabar com o esse monopólio existente. Mark Shuttleworth gostaria que o software livre alcançasse um espaço maior no mercado, argumentando que o mesmo possuía a vantagem de compartilhamento das experiências dos usuários para melhorar o desenvolvimento e em consequência o uso do Software.

Fundador da Canonical Mark Shuttleworth

“O software não-livre deixa os usuários à mercê do software proprietário e concentra o controle sobre a tecnologia, deixando a nossa sociedade nas mãos de poucos. Além disso, o software proprietário reprime a inovação, mantém a escassez artificial e permite anti-recursos maliciosos, como como DRM, vigilância e outras práticas monopolísticas. E esse bug é amplamente evidente na indústria de PCs “, Disse Mark Shuttleworth.

E para isso ele deu tranquilidade para que suas esquipes desenvolvessem o Ubuntu e suas demais ferramentas sem pressão para dar lucro durante 2 anos. Isso mesmo, Mark Shuttleworth retirou a pressão de seus colaboradores e continuou despejando dinheiro no projeto para que eles conseguissem encontrar o caminho certo para trilhar com o sistema.

Em 2009 mesmo tendo uma receita de cerca de 30 milhões de dólares, Mark disse que tal quantia para a empresa não era auto-sustentável. Em 2013 tiveram afirmações de que quase 10 depois de sua fundação a Canonical continuava sem dar lucro, porém Shuttleworth estava com uma fortuna avaliada em 500 milhões de dólares. A que se deve esse feito de bancar uma empresa que da prejuízo durante anos e manter um patrimônio bem próximo ao adquirido em 1999 após a venda da empresa Thawte?

Isso de deu pois ele utilizou uma fração do valor da venda de sua primeira empresa para iniciar o HBD Capital (agora chamado Knife Capital), um fundo de investimento em mercados emergentes da Cidade do Cabo. E sua empresa de investimentos realizou uma série de jogadas bem-sucedidas, incluindo fundando uma empresa de serviços financeiros móveis que foi adquirida pela Visa por US $ 110 milhões em 2011. Obvio que ele ganhou muito dinheiro com a empresa antes de sua venda.

Em 2014 Mark finalmente fechou o primeiro bug do Ubuntu, e quanto a isso ele disse o seguinte:

“O Android pode não ser a minha ou sua primeira escolha do Linux, mas é sem dúvida uma plataforma de código aberto que oferece benefícios práticos e econômicos para os usuários e a indústria. Portanto, temos concorrência e boa representação do código aberto na computação pessoal. , ” escreveu ao fechar o bug.

Por se tratar de uma distribuição Linux foi considerando como uma vitoria quanto ao Android ter superado o Windows no numero de usuários.

Canonical nos dias atuais

Com o passar dos anos a Canonical investiu pesado no desenvolvimento do sistema Linux Ubuntu, chegando a desenvolver uma interface gráfica própria para o mesmo, baseada na interface Gnome. Isso se deu através do projeto Ayatana.

Ayatana é um conceito budista que significa o sistema sensorial. O nome foi adotado pela equipe do Ubuntu para se referir ao esforço colectivo com a finalidade de melhorar a experiência do usuário no Ubuntu.

Apesar de deixar saudades em muitos (como nesse que vos escreve), o Unity era tido por muitos como um gambiarra mal feita em cima do Gnome , e sofria muitas reclamações. Por esse motivo a Canonical decidiu escrever a partir do zero uma nova versão do Unity, denominada Unity 8. Porém com o passar do tempo, a interface não ficava pronta e a empresa estava gastando muito dinheiro com o desenvolvimento da mesma, sem nenhum retorno até o momento. Foi então que a partir de uma reestruturação financeira que a empresa passou (talvez pesando em margens de lucro maiores para uma futura IPO), a empresa desistiu do desenvolvimento do Unity 8, e adotou a interface Gnome Shell como padrão das futuras versões do Ubuntu LTS e sua versão principal.

Como a Canonical ganha dinheiro?

Com o passar dos anos a Canonical foi percebendo que grande parte da sua geração de receitas vinha dos servidores e nuvem. A empresa vende pacotes de suporte para empresas que usam o Ubuntu Server e o OpenStack. Além de vender o Landscape , uma ferramenta de gerenciamento de sistemas para controlar as implantações de desktop, servidor e nuvem do Ubuntu. 

Além das empresas que fornecem o Ubuntu para seus próprios funcionários, os fornecedores de nuvem oferecem máquinas virtuais Ubuntu pela Internet para qualquer pessoa com cartão de crédito. Dessa forma a Canonical ganha dinheiro cada vez que você usa um servidor Ubuntu na nuvem. “Você pode baixar o Ubuntu. Estamos muito felizes em dar a você”.

Olhando para os desktops, o sonho de rivalizar com a Microsoft ficou pra atras (pelo menos por enquanto), a partir do momento que a empresa precisou focar na parte que lhe dava lucro (Servidores, nuvem entre outros) e precisou deixar de lado o que só lhe gerava gastos (Ubuntu Touch, Unity 8). O Mir estaria nesses que não geravam lucro, contudo ele continuou sendo aproveitado para a Internet das coisas (IoT), o que possibilitou a continuidade de seu desenvolvimento, bem como surgiu uma possibilidade do mesmo ser utilizado como compositor junto com o Wayland.

A Canonical atualmente possui foco nos servidores, nuvem e IoT, contudo mantem sua distribuição Linux Ubuntu para os desktops, e passou a financiar o projeto Gnome, para melhorar o mesmo, pela adoção da Interface como sua área de Trabalho principal.

E você, já conhecia a Canonical? Conhece alguma curiosidade sobre a empresa que não foi mencionada aqui? Deixe aqui o seu comentário.

Segue abaixo o vídeo que fizemos no canal Sistemics sobre o assunto:

Fonte: TechRepublic, Wired, The Richest

2 comentários

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